Glucosamina, condroitina, colagénio e ómega-3: aliados das articulações do cão

Existem vários tipos de suplementos que apoiam a saúde articular dos cães. São especialmente recomendados em casos de osteoartrite ou durante a recuperação após lesões. Qual deles devemos escolher para que o nosso animal de companhia mantenha a mobilidade durante o máximo de tempo possível?

As doenças articulares são muito comuns nos cães, especialmente nos animais mais velhos. As lesões podem ocorrer em qualquer idade e, nesses casos, além da reabilitação, os suplementos podem facilitar a recuperação funcional ou aliviar a dor. Este complemento da alimentação diária também é muito importante para os cães de trabalho, cujas articulações estão particularmente expostas a sobrecargas.

O que é a osteoartrite?

A osteoartrite, também conhecida como doença articular degenerativa, é, infelizmente, diagnosticada com uma frequência cada vez maior em cães mais velhos, embora os sintomas associados, com diferentes graus de intensidade, possam surgir até em animais jovens com mais de um ano de idade. Está relacionada com alterações inflamatórias e dor persistente, e o seu tratamento é particularmente difícil devido à utilização de anti-inflamatórios não esteroides (AINE). O seu mecanismo de ação consiste em inibir a produção de prostaglandinas pró-inflamatórias (PGE). Infelizmente, estes medicamentos provocam frequentemente diversos efeitos adversos. No entanto, ignorar os sintomas pode levar à progressão da doença e a uma limitação significativa da mobilidade articular, reduzindo assim a qualidade de vida do animal. Até ao momento, não existe um tratamento causal eficaz, mas apenas tratamento sintomático. Por isso, a prevenção é muito importante, pois permite travar a degradação da cartilagem e apoiar a produção de líquido sinovial.

Sulfato de condroitina (CS) e glucosamina

O sulfato de condroitina e o sulfato de glucosamina são substratos utilizados na produção de glicosaminoglicanos (GAG), moléculas que constituem, entre outros tecidos, componentes estruturais da cartilagem. Apresentam propriedades anti-inflamatórias e contribuem para a nutrição adequada da cartilagem. Os estudos demonstraram uma melhoria geral da atividade dos cães quando os dois compostos foram administrados em conjunto. As preparações à base de glucosamina com adição de quitosano — um biopolímero produzido a partir da quitina — apresentaram maior biodisponibilidade e foram transportadas mais facilmente pelo organismo. Observou-se um alívio significativo da dor em cães que receberam uma mistura de cloridrato de glucosamina e sulfato de condroitina, combinada ainda com colagénio tipo II não desnaturado. No entanto, como demonstram estudos mais recentes, a condroitina e a glucosamina não produzem os efeitos desejados em todos os animais com osteoartrite, pelo que nem sempre se pode confiar nestas substâncias para aliviar a dor.

Colagénio tipo II não desnaturado

O colagénio tipo II é cada vez mais utilizado como componente de suplementos. É obtido por hidrólise enzimática de tecidos que contêm colagénio, sobretudo ossos. A sua utilização é completamente segura do ponto de vista higiénico. É valorizado pelo seu teor dos aminoácidos glicina e prolina, que favorecem a regeneração e o bom estado da cartilagem articular. Ajuda a reduzir a dor nas articulações e a aumentar a sua mobilidade. Nos cães que receberam suplementos de colagénio, observou-se uma maior disposição para a atividade física, o que também pode contribuir para melhorar o estado geral de saúde.

Ácidos gordos ómega-3

Os ácidos gordos ómega-3, provenientes sobretudo do óleo de peixe, são outro componente de muitos suplementos destinados a apoiar as articulações dos cães. Verificou-se que uma alimentação rica nestes ácidos ajuda a reduzir a claudicação e a inflamação articular generalizada, além de melhorar a capacidade de caminhar dos animais com osteoartrite. Também contribui para abrandar a progressão da doença. Os resultados de estudos realizados em cães que receberam ácidos gordos ómega-3 durante períodos prolongados demonstraram uma diminuição dos níveis de marcadores inflamatórios. Os mexilhões-de-lábios-verdes também podem ser uma fonte de ómega-3, mais precisamente o seu extrato lipídico, que é ainda rico em vitaminas, minerais e aminoácidos.

Que mais podemos fazer para ajudar o nosso animal a manter a mobilidade?

Devemos lembrar-nos de que os suplementos se destinam a apoiar o bom funcionamento do organismo do nosso animal, mas nunca substituem o tratamento. Os melhores resultados são obtidos através da combinação dos medicamentos prescritos com uma dose adequada de suplementação. Todos desejamos que o nosso animal tenha uma boa qualidade de vida e se mantenha ativo durante o máximo de tempo possível. Por isso, a prevenção é fundamental. Devemos assegurar uma quantidade adequada de exercício diário e, quando necessário, recorrer também à fisioterapia ou a tratamentos de medicina física. Uma alimentação completa e equilibrada, bem como a manutenção de um peso corporal adequado, são igualmente importantes.

Fontes:

  1. McCarthy G, O'Donovan J, Jones B, McAllister H, Seed M, Mooney C. (2007). Randomised double-blind, positive-controlled trial to assess the efficacy of glucosamine/chondroitin sulfate for the treatment of dogs with osteoarthritis. The Veterinary Journal, 174(1), 54–61.
  2. Comblain F, Serisier S, Barthelemy N, Balligand M, Henrotin Y. Review of dietary supplements for the management of osteoarthritis in dogs in studies from 2004 to 2014. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics. 2016;39(1):1–15.
  3. Barbeau-Grégoire M, Otis C, Cournoyer A, Moreau M, Lussier B, Troncy E. (2022). A 2022 Systematic Review and Meta-Analysis of Enriched Therapeutic Diets and Nutraceuticals in Canine and Feline Osteoarthritis. International Journal of Molecular Sciences, 23(18), 10384.